quarta-feira, 23 de março de 2011

Ela jura que tem um coração...

Nas horas em que o nosso corpo fala mais alto, no momento em que sentimos a importância de cada um de nossos órgão, músculos e ossos é que se tem vontade de ser capaz de abstrair-se da matéria em busca de um perfeito equilíbrio espiritual. O estômago reclama da bebida de má qualidade, a boca, bem seca, reclama dos excessos da noite anterior, o joelho direito reclama do excesso de estudo, sempre na mesma posição, as canelas reclamam de pancadas ocasionais, a cabeça reclama de tudo isso junto e um pouco mais. E o coração, ah... O coração reclama de ter que reconstruir-se a cada momento, reclama por estar em constante exercício, reclama por falta de espaço pra abrigar tantos sentimentos misturados e tantas pessoas que chegam sem pedir licença, como posseiros.
São tantos os planos, são tantas as metas... Há tanto para se fazer, e mesmo assim ainda há tempo e espaço para se apaixonar, para amar, para sofrer - não necessariamente nessa ordem. As pessoas se diferem pelo que dão importância, pelo que valorizam. E são também os valores que as unem, que as deixam semelhantes. É quase isso que me faz não acreditar em alma gêmea ou em par perfeito. E é exatamente isso que faz com que eu me apaixone todos os dias... Nós, em geral, em nossos relacionamentos, cedemos um pouco, escondemos um pouco, mostramos apenas parte do que realmente temos para mostrar.
Como um dispositivo de defesa, eu geralmente procuro mostrar o meu pior. As pessoas, hoje em dia, já se conhecem cheias de pré-compreensões, tem dentro de si opiniões alheias e das mais diversas, e em meio a um eterno baile de máscara acabam escondendo-se, sempre por medo. Eu gosto de surpresas, eu gosto de ser surpreendida e eu adoro surpreender.
Sem mais delongas, o sono me consome e amanhã é uma bicicleta que vai me consumir...

Digamos que eu esteja em mais uma fase da minha vida, que assim como os joguinhos de videogame, será cheia de obstacúlos e de vidas, e de brindes e surpresas! Espero chegar logo no chefão.
Peixos!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lágrimas e chuva!

Eu gosto de chorar, eu sempre gostei de chorar, pra falar a verdade. Choro nem sempre é sinônimo de tristeza e sorriso, definitivamente, não é sinônimo de felicidade. A felicidade, pelo menos a minha, está em coisas tão pequenas, simples e imperceptíveis aos sentidos dos insensíveis que eu mesma nem sei se sou capaz de sorrir todas as vezes que me sinto realmente feliz, mas sei que sou capaz de chorar todas as vezes... que me sinto só! E sei que me sinto só sem necessariamente o estar, assim como sei que nem a melhor das companhias me impediria de chorar em um dia realmente triste.

Meu sorriso não passa de uma máscara, assim como essas usadas no carnaval, assim como é usado no carnaval. Ora, quem é que não sabe sorrir? Mas se quiser eu elenco várias pessoas incapazes de chorar, do contrário só ganhariam o Oscar os comediantes. Chorar sim é difícil, embora sofrer seja fácil. Chorar é o mesmo que se entregar ao sentimento, e para se entregar a felicidade não basta sorrir. Vejam bem, eu não quero retirar de ninguém os sorrisos ainda que falsos, aiinda que fantasiosos, ainda que mascarados. Todos querem estar com quem sorri, e são os sorridentes que ensejam nos outros histórias para contar, são os sorridentes também que viram motivo de inveja. Mas ninguém nunca parou pra pensar que talvez a grama do vizinho seja mais verde porque ele a rega todos os dias com lágrimas, enquanto você sorri em seu quintal. E se eu digo isso, é porque sorrio todos os dias no elevador enquanto me debruço sobre minhas plantinhas na varanda.

Não é questão de revolta sem causa, de reclamação sem motivo e muito menos se trata de um possível medo de sorrir. É simplesmente uma saudade de tudo que não viveu, uma vontade do que ainda tem por vir e uma necessidade do que já se perdeu. São cheiros, músicas, coisas, lugares. As lágrimas escorrem quase que sem querer, e isso é sentir e isso sim é viver. Tudo bem que como diz a melhor amiga, qualquer beliscão me põe aos prantos e qualquer depilação me faz quase desistir de ser mulher, mas até isso, até essa aparente fraqueza esconde algo de proporções imensuráveis. A questão vai além de simplesmente não querer pular no carnaval. Aqui, sentada, sem ninguém por perto ou ao lado, tenho respeitado o meu direito de solidão. Ali, pulando, no meio de toda aquela multidão, tenho disfarçada a minha doença, a minha exacerbada carência. Entre elogios, beijos e abraços eu só consigo perceber um enorme vazio, quase como se eu fosse insaciável e eu inclusive já ouvi isso algumas vezes.

Sim, eu quero experimentar todas as coisas, mas não pelo fato de ser incapaz de me satisfazer com algo e sim pelo fato de ser incapaz de me desfazer de algo, de me desfazer de alguém. Eu sei, é besteira falar hoje em dia que eu seria capaz de guardar em mim todos os momentos, mas eu seria, eu sou, eu guardo. E se você estiver lendo isso agora, não, eu não sou hipócrita. Embora eu me arrependa de muitas coisas eu te guardo em mim e são nessas horas que eu faço como todas as outras pessoas, são nessas horas que eu coloco as lembranças ruins sobre as boas para poder exercer um controle sobre os meus sentimentos. Eu não te apago de mim com borracha, eu rabisco e faço algo por cima disso. A minha memória não me permite te esquecer, então a única coisa que eu ainda posso fazer é usá-la contra você pra te odiar, pra lembrar não das vezes que brincamos de polly na escola e sim de quando você me trocou por novas amigas. Em 19 anos eu venho aprendendo a manipular a minha memória, tudo o que eu queria agora era estar fazendo trilha no seu carro amarelo com uma garrafa de vodka de frutas vermelhas, olhando pra lua e pensando ter encontrado algo pra chamar de amor eterno, já que todos tem que encontrar. Eu queria que junto com o tumor que os médicos arrancaram das suas costas, eles tivessem levado todas as coisas ruins que você fez comigo. E eu queria, no seu caso, conseguir te odiar pelo mal que me fez ao invés de te amar incondicionalmente pelo bem que nem é assim tão grande quanto nos meus cálculos. E se ela entendesse que apesar de tão diferentes somos tão iguais, talvez brigaríamos menos e sorriríamos mais. Eu só preciso parar com a minha mania de fazer tudo pelos outros achando que um dia vou ser reconhecida sem que seja preciso eu gritar. Eu queria que você sentisse a minha falta o tanto quanto eu sinto a sua e eu queria que você acreditasse em metade das coisas que você já me disse, biscoito. Eu entraria na sua toca quantas vezes fosse preciso, só pra um dia poder te chamar de leãozinho e admirar seus cabelos vermelhos. Eu escreveria novamente todas as cartas de amor, sem tirar uma palavra e sem corrigir os antigos erros de português, eu te chamaria de novo de melhor amigo, ainda que você ativasse o sleep. Eu só penso em uma pessoa quando ouço Oasis. Eu queria de volta o meu melhor amigo da quinta série ou o chatinho massagista do Mônaco. Eu queria o pluft fantasminha e todas as estátuas vivas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Equílibrio



Equilíbrio é ter melhores amigas tão diferentes umas das outras. É ter alguém tão doce quanto açucar, outra ludibriante como uma boa dose de cachaça, uma azeda e esverdeada como um limão, e aquela que é literalmente um porre. Equilibrio é transformar todas elas em uma boa caipirinha e degustar vagarosamente esperando aquele porre sem o qual você não vive.
Ser equilibrada, correndo o risco de parecer narcisista, é fazer loucuras nos fins de semana, chegar às seis, sete ou oito da manhã, beber todas caso não esteja dirigindo e, na segunda-feira sentar-se na primeira carteira, ouvindo a respiração de cada professor para garantir um lindo boletim para mostrar aos pais.
Equilibrio é comer mc donalds, pizza, bob's, maças, bananas, sucos !
É funcionar em picos, também. É pairar entre os extremos. É chorar desesperadamente, rir até sentir dores abnominais e debochar o quanto for possível da cara de quem quer que seja. \
São equilibrados aqueles que não se importam tanto com o que os outros vão pensar, mas que tem a preocupação mínima de não ferir os próximos com atitudes desnecessárias.
E tem gente que é equilibrada até no tom da pele, no tipo do cabelo e nas medidas do corpo. Nem pretinha nem branquela, nem liso nem cacheado, nem gorda nem magra...
Ser equilibrada inclui fazer pilates de manhã e jogar bola meia noite. Inclui troca de tapas e beijos em questão de segundos e, inclui ainda querer sempre evitar qualquer tipo de confusão ou atrito embora seja, muitas vezes, esquentada.
É gostar de ver T-O-D-O-S felizes, sorridentes, bem. É querer o bem do outro, independentemente de quem ele seja. É querer o mal também, vez ou outra. HAHA.
É ser louca, alucinada por crianças, é aguentar birrar, gritos e choros sabendo que não há nenhuma criatura no mundo capaz de fazer sorrir tanto quanto uma criança.
Equílibrio são domingos de praia mesclados com domingos na casa da amiga estudando, a tarde inteira.
Equilibrio é não ser nunca, em hipotese alguma, radical. É reconhecer que todo radical é burro, justamente por ele não permitir que outros lhe influenciem o pensamento.
É ser extremamente auto-confiante, a ponto de incomodar alguns. É botar fé em si mesmo, acordar quase sempre de bem com a vida e imaginar que os dias ao passarem só tendem a ser melhores. É transpirar alegria e pedir paz.

Enfim, é por essas e outras que eu tenho uma balança nas costas... Sopesando fogo e água de maneira um tanto quanto desequilibrada.