sábado, 4 de junho de 2011

Só desejava campina, colher as flores do mato

"Essa menina ainda vai longe". Qual a real necessidade em ir longe? Por que ir longe? Será que o que eu fizer longe eu não posso fazer perto? Será que pra ir longe eu teria que me desfazer do que está aqui, ao meu lado, ao meu alcance? Por que não se preocupar com o próprio entorno? Por que as pessoas insistem em sempre ir para algum lugar ou chegar a algum lugar? Aonde queremos chegar? Para onde estamos indo? Por que não nos preocupamos mais com o que estamos fazendo? Talvez assim trilhemos um caminho divertido, e aí quando chegarmos a algum lugar, não acharemos que estamos longe e sim onde gostaríamos. Estar longe me remete a distância, distância me remete desligamento, que me remete a nostalgia, que me remete a saudades e que, vez por outra, pode me remeter a arrependimento. Eu prefiro ir perto, prefiro chegar perto, prefiro ficar perto. Estar perto me remete a proximidade, que me remete a compaixão, que me remete a cuidados, que me remete a preocupação. Quem vai para longe não se liga no caminho, porque quer chegar e porque por ser longe, provavelmente vai demorar e quem vai pra longe não tem paciência, quem vai pra longe, não sabe esperar... Quem vai pra longe, simplesmente vai. Eu sinceramente não entendo essa necessidade que as pessoas tem de "vencer na vida", talvez elas nem sequer saibam o que de fato significa vencer na vida. Meu pai adora me ensinar as coisas através de metáforas ou exemplos de vidas alheias, assim como ele sonha com o dia que eu vá ler a biografia de alguém. Eu acho biografias um atentado contra a vida, na realidade. Mas isso é outra coisa, deixa eu voltar pro meu foco, viu?! Eu definitivamente não conseguiria ir longe, eu sempre traçaria o caminho mais longo, e rodaria, rodaria, sem sair do lugar. Ir longe me dá ideia de linha reta e contínua, me dá ideia de uma vida linear... E, particularmente, eu sempre preferi os círculos, os ciclos!
Enfim, só um desabafo de uma menina que não vai longe, porque não quer ir longe, porque não acha que longe seja um lugar legal, e porque sabe que ficando por perto pode fazer muito mais do que indo pra longe.

"todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada" (Gabriel García Marquez)

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Mas as ondas não têm hora, morena...

E se eu ouço isso, eu me vejo, eu me espelho, eu me imagino em você. Eu te imagino em mim, eu te imagino comigo, eu imagino! Eu te desejo pra mim, e eu te quero pra mim, e eu te quero dentro de mim e eu te dividiria com uns poucos e bons, porque meu sentimento ultrapassa a posse. E eu me desespero e te espero e me visto e me dispo pensando em ti! E eu corro ao teu encontro, mas fujo do teu oi e forjo um adeus com medo de sofrer. E ainda assim eu sofro, por não saber fugir, por não saber forjar... Por só saber ficar ao teu lado sem que seja preciso insistir, sem que nem sequer seja preciso pedir! E assim tão perto e tão longe de ti e sem coragem de dizer o que acontece comigo mas ao mesmo tempo morrendo de vontade de saber o que se passa contigo. E sem saber agir, e sem saber o quê e como fazer... E querer fazer, e querer te atingir ou me atingir e me destruir ou me destacar pra ti, ou me fazer perceber, me fazer reparar, me fazer notar. Ser notada, te contar. E te fazer relembrar do que ainda não há. Não há recordações, ainda não há beijos de amor, ainda não há esse querer ilimitado, esse sentimento maltratado essa vontade de te ver. Tudo é tão rápido e passageiro que o teu silêncio e mistério me prenderam. E eu me surpreendo e embora eu negue a cada segundo que passa, eu só me prendo e me perco e te perco sem te ter...
O fato é que é intenso, profundo e lento, como uma lâmina a ferir e rasgar tudo por dentro, ou como uma onda do mar, a salgar, a molhar...


de partir ou de voltar"

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ela jura que tem um coração...

Nas horas em que o nosso corpo fala mais alto, no momento em que sentimos a importância de cada um de nossos órgão, músculos e ossos é que se tem vontade de ser capaz de abstrair-se da matéria em busca de um perfeito equilíbrio espiritual. O estômago reclama da bebida de má qualidade, a boca, bem seca, reclama dos excessos da noite anterior, o joelho direito reclama do excesso de estudo, sempre na mesma posição, as canelas reclamam de pancadas ocasionais, a cabeça reclama de tudo isso junto e um pouco mais. E o coração, ah... O coração reclama de ter que reconstruir-se a cada momento, reclama por estar em constante exercício, reclama por falta de espaço pra abrigar tantos sentimentos misturados e tantas pessoas que chegam sem pedir licença, como posseiros.
São tantos os planos, são tantas as metas... Há tanto para se fazer, e mesmo assim ainda há tempo e espaço para se apaixonar, para amar, para sofrer - não necessariamente nessa ordem. As pessoas se diferem pelo que dão importância, pelo que valorizam. E são também os valores que as unem, que as deixam semelhantes. É quase isso que me faz não acreditar em alma gêmea ou em par perfeito. E é exatamente isso que faz com que eu me apaixone todos os dias... Nós, em geral, em nossos relacionamentos, cedemos um pouco, escondemos um pouco, mostramos apenas parte do que realmente temos para mostrar.
Como um dispositivo de defesa, eu geralmente procuro mostrar o meu pior. As pessoas, hoje em dia, já se conhecem cheias de pré-compreensões, tem dentro de si opiniões alheias e das mais diversas, e em meio a um eterno baile de máscara acabam escondendo-se, sempre por medo. Eu gosto de surpresas, eu gosto de ser surpreendida e eu adoro surpreender.
Sem mais delongas, o sono me consome e amanhã é uma bicicleta que vai me consumir...

Digamos que eu esteja em mais uma fase da minha vida, que assim como os joguinhos de videogame, será cheia de obstacúlos e de vidas, e de brindes e surpresas! Espero chegar logo no chefão.
Peixos!